O massacre em Suzano foi culpa dos videogames?

O que a ciência diz a respeito?
O que a ciência diz a respeito?

Todas as vezes que ocorre alguma tragédia ou atentado, como este em Suzano, surge um debate sobre a influência dos vídeo games na mente das crianças. Será que os jogos eletrônicos formam pequenos psicopatas e delinquentes juvenis?

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O que a ciência diz

O que a ciência diz
(Imagem retirada do site Uihere)

Existem algumas pesquisas que evidenciam que crianças tendem a imitar comportamentos que veem na televisão ou em outras mídias, incluindo agressivos, porém, elas não são conclusivas se isso as tornará adultos violentos ou sem empatia e não há como estabelecer relação entre isso e atentados como o de Suzano. Algumas pesquisas evidenciam também que a exposição a cenas violentas em jogos, filmes e outras mídias podem causar dessensibilização emocional. Basicamente a criança passa a se chocar menos com imagens violentas reais ou fictícias.

No entanto, o estudo mais robusto sobre a influência de vídeo games nas crianças foi publicado na British Medical Journal. Ele analisou cerca de 11 mil crianças por um período de 10 anos para verificar como elas são afetadas pelo entretenimento em diversas mídias, incluindo jogos eletrônicos e televisão. A conclusão e de que não há relação entre vídeo games e problemas de conduta.


Os jogos possuem classificação indicativa

No senso comum as pessoas têm a noção de que vídeo games são para crianças, mas isso não é verdade. Jogos eletrônicos, assim como filmes, séries, músicas e qualquer outro tipo de entretenimento, são direcionados a vários públicos. Isso significa que existem jogos com conteúdos adultos desde sexo explícito, consumo de álcool e drogas, violência, sangue e morte. Assim como existem jogos que são mais adequados para o ambiente familiar, como Just Dance ou do Sonic e do Mario.


Just Dance é um exemplo de jogo adequado para o ambiente familiar.

O que acontece aqui no Brasil é que os pais/responsáveis não verificam se a classificação indicativa dos jogos que compram para seus filhos são realmente adequadas para a idade deles. É super comum ver crianças de 6~7 anos jogando Grand Theff Auto (GTA) com cenas de violência, uso de armas de fogo e até sexo e prostituição sem que os pais se atentem a isso. 😨

É um jogo para adultos não para crianças. Contém violência, uso de armas de fogo, sexo, prostituição, entre outros conteúdos impróprios.
Apesar de muitos pais/cuidadores não se atentarem, Grant Theft Auto (GTA) é um jogo com conteúdos impróprios para crianças. A classificação indicativa consta na caixa do jogo ou na descrição das lojas digitais dos consoles/PC. (Imagem retirada da internet)

O mesmo pode ser aplicado a desenhos animados. Existem desenhos animados destinados ao público adulto como Simpsons, South Park e Super Drags (alvo de muitas polêmicas).


Pais ou responsáveis devem verificar a classificação indicativa do que é consumido pelas crianças.


Depressão juvenil deveria receber mais atenção

Adultos devem levar mais a sério os problemas emocionais das crianças e adolescentes.
(Imagem retirada do site Clipartmax)

Tanto este atentado em Suzano quanto outro que aconteceu em Realengo em 2011, no Rio de Janeiro, tem em comum o fato de estarem relacionados com bullying.

Infelizmente há muita negligência na saúde mental das crianças e adolescentes. Os adultos apenas pensam que os filhos são mimados, frescos e mal-agradecidos. Os julgam por seu distanciamento e utilizam termos como "geração nutella".

Será que não é a hora de os pais/cuidadores olharem para si e analisarem o quanto estão implicados no distanciamento de seus filhos?


Conclusão

Jogos não são feitos apenas para crianças, existem alguns títulos que são desenvolvidos visando o público adulto. A responsabilidade da indústria de vídeo games é apenas sinalizar para quais faixas etárias os jogos produzidos são indicados. Quem deve se responsabilizar e filtrar o que as crianças têm acesso são os pais e cuidadores. Querer proibir jogos focados no público adulto por receio de influenciar crianças é como proibir filmes e séries que também não são destinados a crianças. Tem lógica?

Cientificamente falando, é comprovado que vídeo games não causam problemas de conduta. Isso fica evidente também se analisarmos que a maioria dos jovens, hoje em dia, cresceu tendo acesso a jogos, mas pouquíssimos são os que saem matando pessoas.

Os adultos deveriam negligenciar menos a saúde mental das crianças e adolescentes. Não digo que isto é um problema de agora, porém, a geração atual tem contato com coisas que as anteriores não tiveram já que estão crescendo na era digital.

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Referências

  1. HUESMANN, L. Rowell, Jessica Moise-Titus, Cheryl-Lynn Podolski, and Leonard D. Eron. "Longitudinal relations between children's exposure to TV violence and their aggressive and violent behavior in young adulthood: 1977-1992." Developmental psychology 39, no. 2 (2003): 201. Disponível em: <https://www.apa.org/pubs/journals/releases/dev-392201.pdf>. Acesso em 15 de Março de 2019;
  2. GREITEMEYER, Tobias. "Intense acts of violence during video game play make daily life aggression appear innocuous: A new mechanism why violent video games increase aggression." Journal of Experimental Social Psychology 50 (2014): 52-56. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022103113001595>. Acesso em 15 de Março de 2019;
  3. ELSON, Malte; FERGUSON, Christopher J. "Does Doing Media Violence Research Make One Aggressive?." European Psychologist (2013). Disponível em: <http://www.christopherjferguson.com/EP%20Review%20Part%202.pdf>. Acesso em 15 de Março de 2019;
  4. GITTER, Seth A.; EWELL, Patrick J.; GUADAGNO, Rosanna E.; STILLMAN, Tyler F.; BAUMEISTER, Roy F. "Virtually justifiable homicide: The effects of prosocial contexts on the link between violent video games, aggression, and prosocial and hostile cognition." Aggressive behavior 39, no. 5 (2013): 346-354. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23650097>. Acesso em 15 de Março de 2019;
  5. PARKES, Alison; SWEETING, Helen; WIGHT, Daniel; HENDERSON, Marion. "Do television and electronic games predict children's psychosocial adjustment? Longitudinal research using the UK Millennium Cohort Study". Disponível em: <https://adc.bmj.com/content/98/5/341>. Acesso em 15 de Março de 2019.



Comentários

  1. Olá,
    Acredito muito nas suas afirmações. Acho que, os videogames e mesmo séries televisas - que dizem ser para adolescentes - penso que é mais forte do que as crianças, jovens não irem experimentar com os colegas para a escola. E raramente são demonstrações de comportamentos positivos…
    Acho que os videogames vierem mudar a mentalidade dos mais novos para sempre!
    Abraço

    http://tudosoblinhas.blogspot.com

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    1. Eu acho que os pais e adultos culpam muito o mundo sobre os problemas que os jovens tem sendo que eles também estão implicados nisso.

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  2. Muito bom abordar esse tipo de assunto, em especial com o embasamento dos games. Importante que os pais se atentem às classificações indicativas dos jogos que os filhos usam para que possa corresponder à compreensão etária.

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    1. Sim, existe uma noção equivocada de que video games são só para crianças e tem pais que não se responsabilizam por verificar se os jogos que os filhos tem acesso são adequados. Infelizmente.

      Não dá para a gente culpar a indústria sendo que as empresas fazem a parte delas fornecendo as classificações indicativas.

      E também é comprovado que video games não causam problemas de conduta, porém uma criança pequena ter contato com morte, sexo e drogas em jogos é bem complicado...

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  3. Os pais têm que estar muito atentos aos jogos que seus filhos consomem. Verificar a classificação indicativa é mesmo muito importante, porque realmente alguns games são bastante violentos.

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    1. Sim! E os pais também tem que estar atento aos problemas emocionais dos jovens e não diminuí-los. Isso faz bastante diferença.

      Eu sei que na teoria é fácil, mas na prática é difícil :/

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  4. Temos trabalhado muito com as crianças no sentido de orientar sobre o consumo e, sobretudo, sobre a importante relação de confiança entre nós para sanar todas as dúvidas neste ambiente. A culpa é da ausência e negligência dos pais.

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    1. Não diria exclusivamente dos pais, acho que é uma coisa da sociedade como um todo. As escolas geralmente negligenciam muito bullying, o rapaz do atentado havia sofrido bullying e pessoas que já cometeram atentados outras vezes também tinham problemas com isso :(

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  5. Parabéns por abordar um tema tão importante principalmente nos dias de hoje. Adorei o post

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    1. Obrigado, Luciane! Sempre busco trazer informações úteis e propor reflexões. Fico feliz que tenha atingido meu objetivo com esse artigo :3

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  6. Olá,

    Gostei muito de você abordar este tema em um post, pois algumas pessoas ainda não conseguem discernir os fatos com clareza. Também já li algumas pesquisas sobre o assunto que falam exatamente isso, que os jogos, por si só, não podem ser responsáveis por atitudes violentas e afins.
    Os pais precisam sim ficarem atentos as classificações dos jogos, assim como também devem se atentar aos sinais de depressão dos jovens (que não são poucos, infelizmente). Cada vez mais cresce o número de crianças e adolescentes depressivos, e apenas quando isto for tratado com a seriedade que deve ser é que as coisas poderão começar a mudar. Mais uma vez, parabéns pelo post!

    Beijos!

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    1. Com certeza!

      Não que depressão em jovens seja um problema só de hoje, mas eu acho que a internet mexe muito com a mente das crianças e adolescentes. Porque a gente é bombardeado por fotos de pessoas com vidas perfeitas no Instagram e Facebook. Acho que isso acaba tornando as pessoas mais ansiosas e depressivas.

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  7. Parabéns pela abordagem.

    Os jogos são feito pensado nos jovens, vi muitos vídeos e comentários sobre jogos e coisas do tipo, mas no mesmo momento não vi as matérias comentarem sobre brigas familiares, bullying, abusos e dentre outras. (Isso estou dizendo de acordo com muitos vídeos e críticas que andei vendo) os jovens precisam de mais acolhimento dos órgão educador e dos familiares.

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    1. Concordo.

      Infelizmente nas escolas há muita negligência com bullying, ele acontece, mas a reitoria das escolas faz vista grossa.

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  8. Os jogos influenciam sim na personalidade dos jovens, pois eles trazem um teor muito alto de violência e agressividade que o induz querer reproduzir na realidade.

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    1. Olá! No artigo eu trouxe dados de uma pesquisa científica britânica, a mais completa sobre o assunto que analisou crianças por quase 10 anos e foi constatado que vídeo games não causam problemas de conduta.

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  9. Existem muitos culpados nessa história... O video Game, os filmes, os desenhos... Que não é para a faixa-etaria para essa criança. Os responsáveis que não responsabilizam por essa criança... Um clima escolar cada vez mais toxico com alunos cada vez mais agressivos... Professores que são coniventes com o Bulling contra os alunos.

    Quantos massacres terão que acontecer para educarmos as crianças/ adolescentes com mais responsabilidade e menos desculpas para possiveis culpados para uma tragedia anunciada?

    Bjos.

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    1. Com certeza!

      Eu só não acho tão interessante culpar os desenhos, jogos e filmes inapropriados sendo que eles não são desenvolvidos para serem consumidos por crianças e existem leis sobre classificação indicativa e tal

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  10. Primeiro, achei seu post muito útil, informativo, sincero e importante. Um assunto que está em pauta no momento e que as pessoas deveriam se aprofundar mais antes de colocarem a culpa em algo irrelevante ao invés de olharem as verdadeiras causas e trabalharem para que isso não se repita.

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    1. Infelizmente as pessoas acham mais fácil arranjar bodes expiatórios :/

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  11. Na verdade creio que falta mais "olho no olho", mais "bom dia", necessário que os "adultos" acordem...Necessário mais amor...

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    1. É verdade! Esses episódios tem se tornado tão comuns no mundo, é muito triste!

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  12. Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
    Claro que sim, então eu que amo filmes de terror, sou uma Serial Kill, cuidado.
    Querem sempre desculpas para tudo. A culpa é sempre do outro.
    Simplesmente há dois tipos de pessoas: Educadas e mal educadas. Ponto final, parágrafo! Sou radical? Talvez, mas tudo depende das origens.
    Beijokitaz




    www.devaneiosdemissl.com

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